Câncer de Pele

O câncer da pele é um tumor formado por células da pele que sofreram uma transformação e multiplicam-se de maneira desordenada e anormal dando origem a um novo tecido (neoplasia). Entre as causas que predispõem ao início desta transformação celular aparece como principal agente a exposição prolongada e repetida à radiação ultra-violeta do sol.

O câncer da pele atinge principalmente as pessoas de pele branca, que se queimam com facilidade e nunca se bronzeiam ou se bronzeiam com dificuldade. Cerca de 90% das lesões localizam-se nas áreas da pele que ficam expostas ao sol, o que mostra a importância da exposição solar para o surgimento do tumor. A proteção solar é, portanto, a principal forma de prevenção da doença.

Como fazer para evitar o câncer da pele?

A exposição prolongada e repetida da pele ao sol causa o envelhecimento cutâneo além de predispor a pele ao surgimento do câncer. Tomando-se certos cuidados, os efeitos danosos do sol podem ser atenuados. Aprenda a seguir como proteger sua pele da radiação solar.

·         Use sempre um filtro solar com fator de proteção solar (FPS) igual ou superior a 15, aplicando-o generosamente pelo menos 20 minutos antes de se expor ao sol e sempre reaplicando-o após mergulhar ou transpiração excessiva.

·         Use chapéus e barracas grossas, que bloqueiem ao máximo a passagem do sol. Mesmo assim use o filtro solar, pois parte da radiação ultra-violeta reflete-se na areia atingindo a sua pele.

·         Evite o sol no período entre 10 e 15 horas.

·         A grande maioria dos cânceres de pele localizam-se na face, proteja-a sempre. Não se esqueça de proteger os lábios e orelhas, locais comumente afetados pela doença.

·         Procure um dermatologista se existem manchas na sua pele que estão se modificando, formam “cascas” na superfície, sangram com facilidade, feridas que não cicatrizam ou lesões de crescimento progressivo.

·        Faça uma visita anual ao dermatologista para avaliação de sua pele e tratamento de eventuais lesões pré-cancerosas.

Estas recomendações são especialmente importantes para as pessoas de pele fototipos I e II, as quais devem evitar qualquer tipo de exposição ao sol sem proteção.

Quando começar a proteção solar?

Comece o quanto antes. Cerca de 75% da radiação solar recebida durante a vida ocorre nos primeiros 20 anos. Os efeitos da radiação ultra-violeta só se manifestam com o passar do tempo. As lesões começam a aparecer na maioria das vezes ao redor dos 40 anos. Portanto, proteja as crianças e estimule os adolescentes a se protegerem.

Não tenha medo do diagnóstico. Ele salva vidas.

Procure seu dermatologista se você tem alguma lesão suspeita na sua pele. Não deixe de ir por medo de saber o nome da sua doença.

O câncer da pele pode e deve ser tratado e o diagnóstico precoce é muito importante para se obter a cura. Além disso, o tratamento das lesões pré-malignas, que podem dar origem ao câncer da pele, ajuda a preveni-lo.

Os tipos mais comuns de câncer de pele

São três os tipos mais frequentes. Eles se originam de diferentes células que compõem a pele:

– Carcinoma Basocelular: originado das células da camada basal, é o tipo de câncer de pele mais frequente (70% dos casos) e com menor potencial de malignidade. Atinge principalmente pessoas de pele clara e está diretamente relacionado com a exposição solar acumulada ao longo da vida.

Seu crescimento é lento e, muito raramente, se dissemina à distância (metástases), mas pode destruir os tecidos à sua volta, atingindo até cartilagens e ossos.

Pode se manifestar de várias maneiras, a da foto acima é apenas uma delas. Feridas que nao cicatrizam ou lesões que sangram com facilidade devido a pequenos traumatismos, como o roçar da toalha, podem ser um carcinoma basocelular.

A grande maioria das lesões aparece na face. Pode se manifestar de diversas formas, mas em sua apresentação mais típica inicia-se como pequena lesão consistente, de cor rósea ou translúcida e aspecto “perolado”, liso e brilhante, com finos vasos sanguíneos na superfície e que cresce progressiva e lentamente.

O carcinoma basocelular também pode apresentar pontos escuros e, na sua evolução, pode ulcerar (formar ferida) ou sangrar devido a pequenos traumatismos, podendo, com isso, apresentar uma crosta escura (sangue coagulado) na sua superfície.

Algumas lesões podem ser pigmentadas (basocelular pigmentado), outras crescem em extensão atingindo vários centímetros sem, contudo aprofundar-se nos tecidos abaixo dela (basocelular plano-cicatricial). A forma mais agressiva acontece quando o tumor invade os tecidos em profundidade (basocelular terebrante), com grande potencial destrutivo principalmente se atingir o nariz ou os olhos.

Existem outras formas de apresentação do carcinoma basocelular e o diagnóstico deve ser feito por um profissional capacitado. Se você apresenta uma lesão de crescimento progressivo, que forma crostas na sua superfície ou sangra facilmente, procure um médico dermatologista para fazer uma avaliação.

tratamento do carcinoma basocelular é na maioria das vezes cirúrgico, objetivando a retirada completa da lesão com margem de segurança. O tumor também pode ser tratado pela criocirurgia com nitrogênio líquido. Alguns tipos superficiais podem ser tratados pela terapia fotodinâmica ou imiquimod.

Por ser um tumor que não envia metástases, o tratamento precoce leva à cura na maioria das vezes, daí a importância de se procurar um dermatologista em caso de uma lesão suspeita.

– Carcinoma Espinocelular: segundo tipo mais comum de câncer de pele, é originado das células da camada espinhosa, tem crescimento mais rápido e pode enviar metástases à distância para gânglios linfáticos e outros órgãos. Também é conhecido como carcinoma epidermóide e ocorre de forma bem menos frequente que o basocelular.

O carcinoma espinocelular costuma surgir em áreas da pele que sofreram exposição prolongada ao sol e a partir de ceratoses actínicas, que são lesões decorrentes da exposição solar acumulada durante a vida e consideradas pré-cancerosas.

Também é comum acometer áreas de mucosa aparente, como a boca ou o lábio (relacionados com o tabagismo), cicatrizes de queimaduras antigas, áreas da pele com processos inflamatórios crônicos, como as úlceras de perna, ou áreas que sofreram irradiação (raios X).

As lesões atingem principalmente a face e a parte externa dos membros superiores. Iniciam-se pequenas, endurecidas e tem crescimento rápido, podendo chegar a alguns centímetros em poucos meses. Crescem infiltrando-se nos tecidos subjacentes e também para cima, formando lesões elevadas ou vegetantes (aspecto de couve-flor). É frequente haver ulceração (formação de feridas) com sangramento.

O carcinoma espinocelular pode produzir metástases, quando células do tumor se deslocam para outros locais. É, portanto, fundamental o diagnóstico e tratamento precoce do câncer para evitar o comprometimento de outros órgãos, o que piora as chances de cura.

Além da proteção solar, o tratamento das lesões que podem originar a doença são medidas para preveni-la. No caso de lesões suspeitas, procure um dermatologista para uma avaliação e diagnóstico precoce.

tratamento do carcinoma espinocelular é cirúrgico, através da retirada total da lesão e deve ser realizado o mais precocemente possível para se evitar a ocorrência de metástases.

– Melanoma: originado das células que produzem o pigmento da pele (melanócitos), é o câncer de pele mais perigoso. Frequentemente envia metástases para outros órgãos que podem levar o paciente ao óbito, sendo de extrema importância o diagnóstico precoce para a sua cura.

O melanoma pode surgir a partir da pele sadia ou a partir de “sinais” escuros (os nevos pigmentados) que se transformam. Apesar de ser mais frequente nas áreas da pele comumente expostas ao sol, o melanoma também pode ocorrer em áreas de pele não expostas. Pessoas que possuem sinais escuros na pele devem se proteger dos raios ultra-violeta do sol, que podem estimular a sua transformação.

Qualquer alteração em sinais antigos, como: mudança da cor, aumento de tamanho, sangramento, coceira, inflamação, surgimento de áreas pigmentadas ao redor do sinal justifica uma consulta ao dermatologista para avaliação da lesão. Além disso, algumas características dos sinais podem recomendar o exame, portanto conheça o ABCDE do melanoma:

  • Assimetria: formato irregular
  • Bordas irregulares: limites externos irregulares
  • Coloração variada (diferentes tonalidades de cor)
  • Diâmetro: maior que 6 milímetros
  • Expansão em superfície ou modificação do aspecto da lesão

A foto acima representa um melanoma em fase inicial (melanoma “in situ”), com todas as características acima descritas. Nesta fase, o melanoma ainda está restrito à camada mais superficial da pele, quando ainda não emite metástases para outros órgãos e pode ser curado pela retirada cirúrgica da lesão.

Nos últimos anos, tem-se acrescido ao exame clínico das lesões pigmentadas a técnica da dermatoscopia, realizada através de aparelhos especiais (dermatoscópios) que, pela observação de determinados padrões de pigmentação e morfologia, aumentam a acuidade diagnóstica, porém, a diagnose de certeza é feita pelo exame histopatológico.

A exerese total da lesão suspeita (habitualmente com margens de 1 a 2 mm), incluindo tecido celular subcutâneo, é mais adequada que uma simples biopsia parcial. A biopsia parcial deve ser excepcional limitando-se aos casos em que a lesão for muito grande e a retirada constituir em intervenção cirúrgica de porte significativo.

A espessura do tumor, determinada pelo método de Breslow é o fator mais importante para a classificação do melanoma maligno, conduta terapêutica, risco de recidiva e prognóstico. Na classificação de Clark que mede o nível de invasão do tumor a avaliação é feita de acordo com a localização do tumor e tem valor de prognóstico menor que os índices de Breslow.

A cirurgia é o único tratamento efetivo para o melanoma maligno e o sucesso dependerá da fase em que o tumor se encontra e da excisão cirúrgica com margem de segurança adequada. Na profundidade, a retirada deve incluir toda a hipoderme. Dependendo do tipo de melanoma e se comprovada a existência de metástases nos linfonodos, a linfadenectomia regional eletiva deve ser realizada. Pode haver também necessidade de pesquisa e remoção do linfonodo sentinela, radioterapia, quimioterapia e imunoterapia.